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“POSTURA SECRETARIAL E
CONCEITO SOCIAL DA PROFISSÃO” (Parte I)
Maria Elizabete Silva D’Elia
‘Quando Criamos
um Conceito, Criamos um Futuro’
Esta
afirmação nos convida à reflexão. E nos remete, automaticamente, a uma
decisiva indagação sobre o amanhã da classe secretarial.
As
bases estão sendo implantadas? A mobilização das profissionais é
parcial ou coletiva? O perfil está sendo traçado coerentemente ou se
encontra à mercê da sociedade, que o deturpa, impondo-lhe os valores
ultrapassados da cultura patriarcal?
Poderíamos apresentar e discutir algumas considerações.
Cientes de que nenhuma resposta esgota totalmente um assunto, optamos
por manter a interrogação.
Só o
questionamento abre caminho para a análise, para a revisão, atuando
como um grito de alerta, um chamado à conscientização, um despertar,
para a necessidade de participação.
E
todos esses ingredientes nos levam a enforcar, com maior amplitude, a
secretária (o) sua postura e seu conceito.
Há,
sem dúvida, duas óticas a serem abordadas.
Um
dos contornos caracteriza a real feição secretarial. Delineado com
seriedade, consciência e luta, ele galga gradativamente a posição
compatível com a sua importância, no contexto empresarial.
Sua
identidade se fortalece, sua personalidade se define, sua
posição-chave se cristaliza.
Paralelamente, os meios de comunicação propagam outra imagem,
totalmente desvirtuada, incoerente e despersonalizada.
Se,
por um lado, conquistamos espaço, valorização e respeito, por outro
nos é negado, discriminadamente, o merecido reconhecimento.
É
possível identifica o porquê desse fenômeno se o associarmos à
problemática vivida pela mulher no cenário social e profissional.
Mesmo vivendo um momento de mudanças e reajustes sociais, somos
mostradas como seres frágeis, não-profissionais, simplesmente a
serviço da sociedade de machista.
Acontece ainda, em grande escala, uma violência silenciosa.
Impunemente exercida contra a dignidade da mulher e, conseqüentemente,
da secretária.
Insinuadamente, somos
expostas em inúmeras situações de humor que, de maneira
intencional e grosseira, passam uma imagem falsa, vulgar e
antiprofissional.
Porém não basta a constatação da realidade vigente para antecipar
mudanças substanciais.
Mais
do que nunca, é preciso transformar propostas em atos efetivos.
E
cabe à classe secretarial assumir este desafio, conquistando e
consolidando a reversão total desse quadro.
Alguns imperativos se impõem imediatamente.
O
caminho sem atalhos é através de exemplo. E o primeiro passo é
modificar a nossa postura passiva de assistir a tudo sem esboçar
qualquer espírito crítico.
Faz-se premente reivindicar, veementemente, o direito ao respeito
profissional e o reconhecimento a nossa legítima posição.
É
mais do que hora de arquitetar uma nova mentalidade. Despida de
opiniões preconcebidas, com ruptura dos antigos padrões. Sem os
resíduos do universo restrito do passado.
Torna-se patente a necessidade de desenvolver simultaneamente a
autocrítica, analisando, criteriosamente, se muitas vezes não
lavamos as mãos, como Pilatos, debitando só à sociedade a culpa de
tantas distorções.
Em
que parcela entra a nossa alienação? Somos uma classe unida?
Ou o mérito das conquistas é atribuído a uma minoria consciente e
idealista?
A
hegemonia de uma classe se mede também pela sua responsabilidade.
E enfrentamos ainda essa lacuna.
Mas
dispomos de capital disponível para saná-la, tornando a nossa classe
forte e imbatível?
Basta que todas se sensibilizem e compartilhem da nossa missão.
Poderemos inibir, totalmente, a desgastada mensagem
televisiva, conquistando o nosso verdadeiro conceito, se
mostrarmos com eficácia a nossa grande unidade.
Seremos capazes de neutralizar todas as frentes refratárias se
ostentarmos, com orgulho e consciência, uma só bandeira.
Temos a nosso favor a seriedade do nosso trabalho e a incontestável
importância da nossa contribuição para a sociedade.
Se
escolhermos juntas o porto de chegada e remarmos, sem reservas, na
mesma direção, o vento nos será favorável.
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